Reforma Tributária no Varejo: Tudo o Que Muda com CBS, IBS e Imposto Seletivo
A reforma tributária muda documentos fiscais, cadastros de produtos e rotinas contábeis do varejo. Entenda o cronograma de transição, os três novos tributos e o que precisa ser feito agora.
A reforma tributária brasileira já é uma realidade e o setor varejista precisa se preparar com urgência. A partir de 2026, documentos fiscais, cadastros de produtos e rotinas contábeis passarão por transformações profundas. Empresários e contadores que entenderem o novo modelo antes dos concorrentes sairão na frente.
O Cronograma de Transição: 7 Anos de Mudanças Graduais
A reforma tributária foi sancionada em 2023 pela Emenda Constitucional 132 e estabeleceu um cronograma de transição de sete anos. Não haverá uma virada de chave abrupta.
- 2026 — Início das alíquotas-teste de CBS (0,9%) e IBS (0,1%). Todos os documentos fiscais já devem conter as novas tags. PIS/Cofins e ICMS/ISS continuam normalmente.
- 2027 — Extinção do PIS e Cofins. Entra a CBS plena (estimativa de 8,7%). O Imposto Seletivo (IS) começa a ser exigido. O IPI tem sua alíquota zerada (exceto Zona Franca de Manaus).
- 2029 a 2032 — Redução progressiva do ICMS e ISS em 10% ao ano, com aumento equivalente do IBS.
- 2033 — Extinção completa do ICMS e do ISS. Regime tributário definitivo.
Os Três Novos Tributos: CBS, IBS e IS
CBS — Contribuição sobre Bens e Serviços
O CBS é um tributo federal que substitui o PIS e o Cofins. Seu cálculo segue o modelo não cumulativo: a alíquota incide sobre o valor da operação, e o contribuinte pode aproveitar créditos das etapas anteriores da cadeia produtiva.
IBS — Imposto sobre Bens e Serviços
O IBS é o tributo estadual e municipal que substituirá o ICMS e o ISS. Sua arrecadação segue o princípio do destino: o imposto vai para o estado e município onde o consumo ocorre. Isso elimina a chamada "guerra fiscal" entre estados.
IS — Imposto Seletivo
O IS, apelidado informalmente de "imposto do pecado", tem função extrafiscal regulatória: incide sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, veículos poluentes e bens minerais.
O Cálculo "Por Fora": Uma Mudança Importante na Precificação
Atualmente, os impostos são embutidos no preço do produto. Com o CBS e o IBS, o cálculo passa a ser por fora: a alíquota incide sobre o valor da operação, e o imposto é destacado separadamente.
Exemplo prático:
- Valor da operação: R$ 1.000,00
- Alíquota do IVA (CBS + IBS): 26,5%
- Imposto destacado: R$ 265,00
- Valor total da nota: R$ 1.265,00
Impactos no Cadastro de Produtos
CL Trib — Código de Classificação Tributária
O CL Trib é um campo novo e central na nova tributação. Ele identifica a natureza da operação tributária de cada produto e está vinculado a um artigo específico da Lei Complementar 214/2025. A tabela atual conta com 125 códigos. O CL Trib é o "campo pai": a partir dele, o sistema identifica automaticamente o CST aplicável, se há redução de alíquota e qual o percentual dessa redução.
Simples Nacional e MEI: O Que Muda
O Simples Nacional não será extinto. A partir de 2027, empresas do Simples poderão optar por recolher o IBS e a CBS fora do DAS, no regime regular. A regra de ouro: antes de qualquer decisão, é essencial saber para quem você vende. Se a maior parte dos seus clientes é pessoa física, provavelmente não compensa sair do Simples.
Split Payment: Entenda o Novo Modelo de Recolhimento
O Split Payment é um mecanismo em que o tributo é recolhido automaticamente no momento do pagamento, sem passar pela conta da empresa vendedora. A implementação está prevista para começar de forma opcional em 2027, inicialmente para transações B2B. O impacto no fluxo de caixa pode ser significativo para varejistas que atualmente trabalham com prazos entre a venda e o recolhimento do imposto.
O Que Fazer Agora: Checklist para o Varejista
- Buscar conhecimento — Acompanhar lives, treinamentos e publicações oficiais.
- Revisar o cadastro de produtos — Preparar os produtos para os novos campos como CL Trib e CST.
- Simular preços — Testar como o cálculo "por fora" afetará a formação de preços e margens.
- Mapear fornecedores — Verificar se os fornecedores emitem nota fiscal corretamente.
- Consultar o contador — Tomar decisões sobre regime tributário com base em análise personalizada.
- Atualizar o sistema — Garantir que o software de gestão esteja sendo adaptado para as novas exigências.
- Planejar o fluxo de caixa — Considerar o impacto do Split Payment nas finanças.
Quer garantir que seu sistema esteja preparado para a reforma tributária? Entre em contato com seu parceiro Clipp Pro. Não espere 2026 chegar para começar — o momento de agir é agora.
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